O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE) virou alvo de ataques públicos por parte de aliados da prefeita Emília Corrêa (PL), após a suspensão da operação dos ônibus elétricos em Aracaju. A decisão foi tomada com base em medida cautelar que identificou possível sobrepreço na compra dos veículos, levantando suspeitas sobre irregularidades na adesão da gestão municipal a uma ata de registro de preços firmada no Pará.
A compra foi realizada com valores que ultrapassam em mais de 300% o montante pago por outros municípios por modelos semelhantes, acendendo o alerta sobre a lisura do processo.
Para fugir da responsabilidade administrativa, páginas e perfis ligados ao grupo político de Emília passaram a disseminar narrativas que tentam deslegitimar o papel do TCE. Um dos textos que circula nas redes chega a classificar a decisão como “elitista”, atacando diretamente os conselheiros e ironizando o tempo de tramitação de processos internos da Corte.
O objetivo claramente é desviar o foco das falhas grosseiras cometidas na licitação, que já havia sido questionada inclusive por especialistas em mobilidade urbana e controle de gastos públicos.
Ao justificar o valor mais alto dos ônibus, a Prefeitura alegou que os modelos adquiridos possuem tecnologia superior e que o ICMS em Sergipe é mais elevado que no Pará. No entanto, os argumentos não foram suficientes para convencer o TCE, que optou pela cautela diante de um investimento de mais de R$ 30 milhões. A ausência de comparativos técnicos mais detalhados e a falta de transparência no processo de adesão à ata contribuíram para o posicionamento do Tribunal, que cumpre sua função constitucional de fiscalizar e zelar pelo uso correto dos recursos públicos.

